Mostrando postagens com marcador SubEscritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SubEscritos. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de junho de 2015

Afaste esse pré de mim, pai

Daquilo que pareço
Salta pela culatra
O ledo desengano
Sua queda apavorada
Amedrontada em melodia
Foge no refluxo sob reflexo
E minha alma a meditar
A sorrir do teu julgar
Deseja sobre teu túmulo vagar
Com as filosofias varrendo
Tudo que há de pré
E depois deitar no eterno buraco
Que na terra não se joga:
O buraco da aparência

Na pele de Deus

Estamos todos aqui reunidos para bater palmas em reverência a esse suicídio, completamente bem vindo e em hora, nada mais absoluto e necessário em tempos de vidas que duram mais que baterias duracell. O que dizer de tamanha coragem para com a nossa terra, que já não comporta mais que 1 metro quadrado por pessoa, em um exato instante de sufoco coletivo. Teu pedaço será distribuído entre bilhões e alguns poucos ficarão com o pó.
Quero que nossas ovelhas que aqui escutam façam o mesmo, o mundo está uma catástrofe com todos querendo viver e viver e viver, parece que não há nada mais interessante a se fazer que não permanecer com o coração batendo. Até os 60 é completamente compreensível, mas daí em diante qual o sentido dessa vontade? Seria ela recriminar os jovens que hoje já populam seu quadrado aos 12 anos?
Ó, pai, em tantos livros foram descritas pestes e distopias sobre o fim do mundo, e agora, em tamanha idade avançada e com progresso desnorteado, já não alcançamos mais a visão sobre essa benfeitoria disfarçada. Temo que o temor nasça de nossas mãos, pois esperar pela dizimação máxima está difícil. Nâo entendo, me perdi em algum ponto da nossa história no que diz respeito à filosofia, pois sinto que ela me é totalmente útil agora, mas não da forma como associei durante essa rotação do tempo.
Por falar nisso, quando vamos entender que o tempo é um ciclo, não é uma linha contínua no tempo-espaço, como se pudéssemos enxergar um horizonte em algum ponto entre eu e você? A realidade é que se tento abrir minha visão acabo no nada e sou puxado para uma diagonal e nunca para frente, sinto a gravidade exercer poder sobre meus pensamentos e eles caem agora, pois pesam, e conforme tu nos gira, as sinapses se confundem e fazem laços com parentes estranhos, gerando anomalias e outroras genialidades. Em qual você encaixaria essa daqui? Como te envio essa carta? Parece que o sedex só alcança saturno, dali em diante nosso petróleo já não é o bastante.
Gosto de você, mas tento te esconder. Na verdade, para os outros digo que não existe, mas você tem que existir de alguma forma, e caso não exista, então sou eu mesmo na pele de Deus. Ora, o que seria também atingir o Nirvana, mas só de raspão.
Toca um pouco da tinta de Beethoven em mim. Por que usou toda sua receita na nona? É você que sinto nela? Assim suplico.
Da arte viemos, da arte voltaremos. Deixo aqui o desejo pelo suicídio humano, para que surja a transcedência dessa coisa racional que somos. E o público a quem me dirigia aqui no início não é ninguém menos que todos os meus eus que já preencheram meu corpo.
Pelo amor te encontro.
Até logo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Milho

João Sem Moral estava sentado no ônibus Nietzsche171 a caminho da psicológa, preso no tráfico diário, extremamente deprimido com a sequência exagerada de vogais em seu nome, até que uma buzina soou ao longe, o que fez bagunçar sua dialética alfabética, e o sujeito se deu conta de que não se movimentava, nem na relatividade de Einstein, por eternos 37 segundos. Olha pra todos os lados e cada celular com aquele brilho azul é um gatilho para sua raiva.

Toma um gole do whisky que não tem, procura a lua que ainda há de haver e faz poesias belas que ninguém ouvirá.

Decide, em uma confabulação binária, matar o motorista, conclusão mais que lógica para que o tráfico fluísse. Saca de uma bolsa devidamente organizada pela mãe uma .45 e caminha decidido à cabine frontal. Pensa na filha, na mulher, na amante, na outra amante, na mãe, na pipoca que deixou no microondas, mira e atira. Virou levemente a cabeça para trás, preparado caso algum dos passageiros decidice viver naquele lugar. Nada. Todos muito bem zumbificados em suas existências efêmeras. Um café cairia bem agora, pensou.

Arrastou o ex-motorista para um dos bancos, tomando muito cuidado com a coluna do mesmo, pois especialistas de Harvard já apontaram que problemas na lombar virão com tudo no próximo inverno. Certos jornais semanas depois noticiariam que o morto parecia sorrir de leve, já outros diriam que estava mais pra uma gargalhada. Sentou em seu lugar e assumiu o comando.

Nem o trono dos deuses do Olimpo se comparava com a cadeira do motorista. Parado no meio do mundo, se sentiu um Xamã na tribo Babilônia.

Um outdoor com uma moça branca esquelética ao lado de um rapaz branco com abdômen espartano, ambos com as partes culturalmente proibidas tampadas, brilha em algum lugar da avenida.

Imaginou naquele mesmo cartaz
2 neandertais
com roupas de baixo da Calvin Kleins.
A rima sempre vem a calhar nos momentos cruciais.

Nunca se sentiu tão triste e tão menos arrependido. Tentando enxergar o infinito, divisa a linha entre o céu e a terra e rumina qual o sentido da vã filosofia de Horácio agora. Oh! Se pergunta para que tantos Ohs nos textos dramáticos se nunca ouviu uma pessoa sequer falando isso num momento de angústia. Será que era ele o problema, as pessoas à sua volta ou Shakespeare tinha algum problema na garganta e isso acabou pegando? Não sabia.

João observa o corpo do morto com tédio, que treme esporadicamente, com sangue saindo pela boca, os olhos fixados e vidrados no teto.

Ônibus, meio de transporte, nem se lembrava para onde se transportava. Sabia que pegava o ônibus X, descia em Y e andava até Z. Uma vida cartesiana até o esgotamento da infância. De que serviam os abtoners da polishop ou os acendedores de cigarros inteligentes agora? Os comerciais eram o novo câncer da geração XYZ.

Suspira. Entende qual a função do cigarro e se lamenta por não ter um. Lembra que a última pergunta da filha foi "Pai, vai sair?" e de ter respondido algumas palavras soltas com voz de robô, pois estava concentrado na escrita detalhada de uma mensagem para alguma fulana e tudo tinha de estar alinhado. Sem palavras repetidas, sem palavras difíceis, nada muito formal, sem erros de português, mas também nem tudo certo, erra propositadamente 2 palavras escolhidas a dedo e envia. A filha já tinha sumido.

De volta à realidade, mais buzinas tocam e não era o carrinho de pipoca que tinha chegado na sua rua oferecendo qualidade. Eram pessoas odiosas, descarregando o acúmulo de informações na buzina. Para ele, era sinfonia. Maestro daqueles que não conseguiam suportar a felicidade alheia, pessoas que passariam a vida sem sem nunca ter sentido a experiência de tirar uma vida.

Estava em êxtase até uma mosca pousar em seu ombro e tirar seu equilíbrio mental. João saca novamente a .45 e atira sem pensar no inseto, que nesse momento parecia gigante, como se o estivesse vendo através de uma lupa em uma velocidade super lenta. Discovery Channel da vida real. Consegue visualizar o trajeto do tiro: o tranco na mão, a explosão na ponta do cano, a munição cuspida que segue em linha reta, o olhar da mosca que triangula com o olhar daquele que atira e o salto insano da mesma para longe. A bala acerta de raspão sua asa, ela não sustenta o voo e cai rodopiando, ainda viva. Ela rasteja, sem fôlego, querendo e precisando escapar, enquanto João se abismava com seu ato.

Era o nascimento da tragédia. Antes que tivesse tempo de sua consciência vir à tona, dá o tiro de misericórdia na mosca, que tem seu corpo todo contemplado pelo projétil. Ele começa a chorar, mas antes que a primeira lágrima caísse, o chão vibra e o motor embaixo da mosca entra em combustão. Dá seu primeiro sorriso do dia, o último da vida, se dá conta que hoje não tinha se olhado no espelho e lembrou da pipoca no microondas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Mostra tua face

Monstros não existem.
Mas existe uma coisa pior: 
A nossa própria cabeça, que é capaz de inventá-los.

Reticências...

Eu paro pra te olhar, de longe, inspiro a inocência do teu sorriso mudo, me delicio com o cabelo que escorre suavemente pelo pescoço. Você parece dizer coisas belas, ou é a minha mente que pinta suas rudezas com verniz de você?
Sinto um deserto sob meus pés, muros kilometricos nos separando, ao tempo que posso tocar suas mãos, sem que você perceba. Há tanto para ser dito. Na loucura desse ideal, criei um universo só seu, e nele, você é o sol e eu a terra, uma das tantas coisas que você atrai, sempre mantendo distância. Me aquece de longe, nem pergunta o porquê, infiltra minha camada, lança raios com essas duas esferas que tens no rosto. Me deixa chato, a ponto de querer criar para você a todo instante, como se com cada coisa que eu fizesse, que seja a menor das frases sem nexo ou o pior dos clichês românticos, eu pudesse alisar teu cabelo, ou receber um beijo seu.
Quero te contar alguns sonhos, mas você permanece indiferente, concretizando cada rachadura nutriente dos meus solos.
Olho para trás, no sentido de passado e distância, e vejo um buraco negro, sugando esse universo todo. Estou indo aos poucos, essa observação, talvez uma obsessão contida, está em cada pó do meu ser, que se esvai rumo à boca do buraco. Não sei quando minha nuvem vai secar, sumir ou acabar, só espero que minha última lembrança seja de um sorriso teu.
E que eu possa dizer algum dia aquelas três palavras que há séculos permeiam o universo dos humanos.
.. .. ...

sábado, 9 de agosto de 2014

Bom dia, com gosto de Gabi

Um gole do teu corpo
Pra te beber gota a gota
Te fazer chover
E me lambuzar no teu gozo

Quando salivas teu suor
Nas curvas dos teus seios
Que degusta você de cor
Até ser devorado pelo meu anseio

O ar se adensa de desejo
Suspira no teu ouvido quanto te quero
Penetra teus lábios ao infinito
Te sufoca de tesão inaudito

Você, toda nua, inspira
O Michelangelo nos meus olhos
É você, toda delícia,
Que transpira pelos meus poros

Balada da SuperLua

Com um foguete propulsionado por palavras,
Posso, na tua fuga, te alcançar ?
Pousar sereno na esfera inacabada
Fincar uma bandeira bruxuleante ao amar?

Na poeira seca da terra desconhecida
Voam cabelos e perfumes
Perguntam pela sonoridade
"Qual o som da idade?"
Ramificam-se em borboletas de prazer
Que despertas ao casulo
Experimentam a inexistência

Saudades como vanguarda da necessidade
Orbita e repulsa, quieta e camuflada

Vem ter comigo
Suspensa ou propensa
Pela gravidade nossa

Atração natural das nativas carícias
A mão sobe, leve, ao ar
Querendo, criança, alcançar
A última folha
Da ponta mais finita
Da árvore mais bonita
Chora ao toque do encanto
Musgos do meu pranto

Os olhos fecham, corpo sente
E o que figura na mente?
"Fuja. Perigo. Ela conquistou.
Mas que faço? Ela apoderou.
E no coração, gravitou!"

Ser o não-ser, eis a questão

Esperando o resultado  
O envelope gritando aids 
E você gemendo dreads
O sono vinha perturbar
A cabeca relutante
Vinha ralhar,
Com a falta de relaxar
Tapete sem asa buscando
Um Aladin alado da Nigéria
Menino que o usa no auge
Melindra o ar rasgando folhas
De vento sujo calado 
A lixeira jazia vazia
Vadia, tinha serventia? 
A comparação era inevitável
Irresistível como evitar crentes no domingo
E o ressoar que procura a menina
Aquela que não pode ser pronunciada
Lamenta suas dores 
Em versos sem sentido
Quisera Caim serem esses 
Lado a lado na métrica da solidão
Uma assistida de leve à TV
Desperdício sem conta 
Para reparar o traço fino de falta de ar 
E a excessividade de des 
Ligamentos reflexos da vontade
Insistente lambuza suas gotas
De sangue, vertente 
E a alma, latente.

sábado, 19 de abril de 2014

Massa Escura com um final clichê

Vou fazer um som no barulho
Algo como um grande maduro
Oi, eu disse meio assim,
Meio assado,
Meio envolvido na aglutinação do ar
Pára! O que eu quero é continuar
E não parAr
HoiHei, eu sou um grande Timóteo
Que encontrou no inferno a saída
Para um grande problema
Pra que ser feliz com soluções
Se eu posso ser feliz com situações
Má resolVidas
Como um pássaro num galho
Esperando a formiga subir
Toda extensão da grande
Árvore
Eu fico aqui, esperando..
Um hiato de silêncio
Mas para escrever é melhor
Uma grande bateria de barulhos
Revolucionários
Tênis sem nó!
Caras sem rugas! Vidas sem problemas..
Pra quê? Hei, bora ser humilde
Rastejar entre paredes, esperando sua vez
Pra atravessar aquele grande farol
De uma avenida vazia
Que triste.
Faltam horas para esses grandes tabus.
Encontro-me numa tabuleta
Pré-destinado a nunca ser
Dois mais dois igual a cinco
E sim seis
Porque multiplico
Ao invés de somar.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ode à Lua Sangrenta

Na noite da lua sangrenta eu acordei
Nunca acordo durante à noite
Algo pairando no ar
Na noite mais que Dela.

Todo o céu era vermelho,
Vermelho Sangue, Vermelho Vivo
Pensamentos e Lembranças
Vermelhos, Viscosos
Tinha medo, sangue, uivo, calamidade, histeria.

O próprio Mal tecendo o Ar
Marionete de suicídio Global
Senti inspirações tocantes aos mestres do Terror
Capaz de escrever um livro com tinta de Sangue
Se no chão frio lá fora me deitasse
Num estado de possessão
Escreveria uma ode ao Caos
Com os límpidos dentes de Belzebu.

Tentei alcançar a Lua com meu olhar
"Você não deve passar"
Camada com vida própria
Sopro do Diabo com hálito de carniça
Impede tudo vivente de passar.

Consciente do meu despertar
Inconsciente da origem do chamado
Muitos com o desejo de olhar
Ela, que sempre esteve lá,
Agora vestida para matar.

Caminhando no escuro, com cuidado
Como que para não acordar o grande espírito
Jazido morto (?) na casa de todos
Guiado pela respiração gélida do vento
O Tempo cavalgando para trás
Eu a duras penas para frente.

Tudo era falso, era Morte,
Era suicídio e era Bom
O fim da Era
Natureza na Limpeza e Reciclagem
Naturalmente.

Sorrindo, Ela me benzeu
Com lágrimas chorosas
Para pesar mais efeitos
Que causas

A fim de certificar minha insanidade
Dei uma última olhada lá fora
Só pra garantir
Que o Terror estivesse mesmo instaurado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Peregrinação em alto mar - QuaseMoisés

Eu caminhava no meio do mar, com os pés pra fora, quando encontrei uma joaninha dourada. Ela me disse "Oi, fica à vontade", mas aí eu disse que ela não estava numa música da Clarice Falcão e continuei meu pornô xanxada em alto mar, e ela seguia atrás.
Depois de 2 horas caminhando sem parar,
encontrei um banco onde pude sentar.
De repente tudo ficou preto e já era noite. Não sabia que sentar em bancos deixavam o dia mais escuro. Como que num repente, uma lâmpada imaginária daquelas que aparecem em desenhos animados se acendeu 5 cm acima do meu chakra coronário, arranquei tábua à tábua do banco e o dia foi clareando e a joaninha agonizando. Então estabeleci um ato de cognição, bem psicanalítica: a tábua era a joaninha, que representava o dia, que pela noite já era um gafanhoto, que murmurava antigas canções de ninar. "AHHHH, maldito boi da cara preta! Eu não tenho medo de careta! Só de alho!!"
De boca muito aberta, senti necessidade de contar isso para as próximas gerações. Peguei o primeiro punhado de água que vi pela frente e comecei a riscar freneticamente nos átomos de H2O a fórmula que identificaria o segredo de tal descoberta, por um futuro onde crianças cresçam ouvindo Pink Floyd e não estímulos para fazer com o gato o que fizeram com a Maria que Jesus salvou lá na Galiléia. [pausa]
Foi então que tudo se perdeu, porque o gafanhoto joaninha saltou no meu pescoço, abriu a boca e adentrou a veia que me conectava com o coração, trilhando-a até o núcleo. Lá estando, a joaninha gafanhoto se transformou num elefantE e eu, com o coração maior que o corpo, sofri um ataque fulminantE e só não morri porque era um elefante de brinquedo e estava sob(re) o mar.

PS: Não recomendado para pessoas com gostos habituais ou crianças menores de 2 anos.
Obrigado.
O FBI agradece (leia-se Éfe-Bi-Ai).
E eu também.
.
Mentira, sou ingrato.
Até.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Tecelão em italiano

Em seu nome guardava uma profissão
Tecia lágrimas nos olhos de quem a via
Por tão bela visão:
Sua boca fez-me lembrar de tempos que desconhecia

Seu primeiro nome podia ser Hitler
Que jamais seu encanto se perderia
Beleza semelhante só vi em quadros antigos:
Seus olhos faziam poesia

E se uma noite sairmos para dançar
Abrirei meus olhos no paraíso
E, entre as nuvens flutuantes,
Fico ali a te contemplar

(Sinta as batidas do meu peito.
Providenciarei um amortecedor,
a fim de não arrebatar o esqueleto)

Peço desculpas já antecipadas
Pelas palavras clichês aqui usadas
Pois você merece Jobins, Chicos e Caetanos
Infelizmente meus pensamentos são mundanos

Continua a tecer no mundo
Prometo aqui não rimar
Pois você, sozinha, já é uma arte.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Notas da madruga

Meu sono foi roubado, porém, me deram (se você for ateu, considere o universo) algumas ideias sonambulísticas:

  • Minha cabeça é governada pelos irmãos sim: eles dizem sim para tudo;
  • McChá Feliz;
  • Meu cérebro estava pensando tanto que imaginava ouvir os batimentos cardíacos do meu travesseiro;
  • Praticante de Mojuba, um esporte social; 
  • Uísque, vinho ou violão. Uma escolha determina todo o seu rolê;
  • Meu pai ia no banheiro, e o cachorro ia atrás (essa é só pra quem leu A Torre Negra; como eu li, tá valendo)
  • Acho que fiz um furo no meu inconsciente; e tem alguém neste exato momento enfiando 2 dedos nele. Que bom;
  • Ideias boas vem antes de eu me olhar no espelho;
  • Devia ser crime se olhar no espelho sem ver o seu reflexo;
  • Eu estava com a cabeça tão aberta que fui coçá-la e saiu uma ideia sem acento;
  • Vou ficar deitado de olhos abertos até vir uma ideia poética de sono;
  • O Córtex foi fazer um marmitex pra sua ex;
  • Os índios deram origem aos pernilongos;
  • Daqui uns 100 anos vão olhar esse monte de foto do Instagram e achar que ele é um artista;
  • Fórmula para inflação do ego: use o Facebook e finja não se importar com as  notificações (quanto melhor esse último passo for executado, melhor o resultado);
  • Enquanto o brilho da tela do celular for mais importante que o brilho dos olhos, não haverá revolução;
  • Meu sono foi sequestrado e pediram favores sexuais a um boneco em troca;
  • O papel da minha mãe na minha vida é de seda;
  • Fui educado por pais russos e mães eslavófilas;
  • No meu vagabundar constante eu me tornei um antifuncionário;

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Fábula do camelo

O camelo viajava pelas areias escandinavas da França (assumi-se que, neste mundo, escandinavo é uma qualidade e a França possui desertos) e a Corcova ia atrás.
Até o momento de repouso, quando a Corcova já não sabia se ainda era uma Corcova ou uma Corcunda. Neste fálico instante, Sua corcova cansou. Quis ser uma borboleta e pensava com mil diachos que seria a mais nobre borboleta do reino desértico da França islâmica.
(neste mundo, quando as pessoas cansam elas têm vontades). Pensava, pairava e tomava dia e noite anabolizantes que faziam crescer asas: Um tal de WingsGenerator.
40 dias depois, quando um minúsculo fiapo de um rascunho de asa começou a despontar, a Corcova não desejava mais nada. Queria era silêncio e água.
Arrependida de tanto anabolizante, ela se enfiou num desses programas de anomalias russas, fez muito sucesso e desejou seguir o camelo novamente.

Moral da história: Quem nasceu corcunda, nunca morre careca.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tudo se repete

Cansado de abrir aquelas planilhas disponíveis nos sites de concursos e nunca ver seu nome, B resolve se beliscar, ir ao banheiro, tomar um café, quem sabe pular da janela mais próxima pra ver se na verdade tudo não passou de um sonho e que na verdade ele levantará da cama de um salto e descobrirá como é bom ir trabalhar com a esperança de ter passado na prova. E ao remoer esse possível sonho, B descobre que nele também ele não passou, e que na verdade o gostoso mesmo é o trajeto que ele faz da cama até o trabalho, até o exato momento em que ele decide abrir o maldito site, caindo em si dos seus pecados e se achando um tremendo fracassado.
A verdade é que se B soubesse que desde o espreguiçar até o calmamente sentar e googlar, ele fora feliz, B passaria a vida no trajeto, apenas indo e voltando, sem nunca consultar sequer aquele livrinho dado pelos fanáticos de igreja de plantão. B fora feliz, e quem sabe venha a ser um dia, se souber que a vida é feita de vários trajetos iluminados obscuros e vários momentos tristes resplandescentes.
Quem sabe B estude, não deixe a preguiça lhe domar, assim como tem feito durante muito e muito tempo, quem sabe assim ele encontre não um trajeto repetitivo, mas uma trilha desconhecida, que desemboca na felicidade, e que durante todo o trecho é possível sentir o cheiro da alegria.
Até lá tantos obstáculos estão por vir, novos pornôs estão para ser lançados, séries novas no ar, uma nova bunda começa a pegar o metrô das 11, o sono começa a falar mais alto e todo o desespero de não ver o nome da lista é esquecido e tudo se repete. Como sempre, tudo se repete...
Mas, e agora, José?

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Vontades pela Naja

Seus olhos têm presas, presas pontiagudas,
E que me dão uma vontade tremenda de sentir a força de sua mordida. Sua íris, como a língua duma naja, dançam de um lado pro outro, só tecendo sua vítima. Quem te olha por mais que 2 segundos caí perante seus pés, te desejando até a morte, buscando saciar essa vontade louca que você suscita, suspirando em seus ouvidos, eriçando os pelos das orelhas, arranhando seu coração por dentro. Quero possuir seu corpo, unir-me carne com carne, como num ritual, e fazer sua cabeça cair pra trás, virando os olhos e gritando de ira e tesão. Você é capaz de me seduzir com os olhos fechados, me faz querer abri-los só para que eles me mordam.

domingo, 22 de setembro de 2013

Notas Dantescas

Morrer, dormir, talvez brindar os desejos secretos escondidos pelos refletores mágicos comprados na 25 de março. Eis tudo que assombra um homem (para as feministas, leia-se "mulher"). Os conflitos entre ser e não ser, dormir e sucumbir, enterrar e avacalhar.
Um dia, só para experimentar os requintes de tamanha liberdade desejabilística, propus invadir um cemitério, roubar uma caveira às escondidas e fugir para o Tibete, onde eu poderia doá-la para um museu de pessoas humanas que morreram por causas outras que não a fome ou sede. Talvez até mesmo subornar o sindico do cemitério, trocar uma caveira do hamlet que veio no jornal da banca da esquina por um autêntico crânio, aí estava o meu desejo. E pergunto-me: Por que eu precisava de um crânio verdadeiro? E respondo-me: Para sentir as mazelas que Shakespeare se referiu.
Experimentar a loucura, a verdadeira falsa loucura, que Hamlet sempre sentiu durante sua vida. Então surge a dúvida: Se uma pessoa passa a vida fingindo uma loucura, não seria ela de fato louca?
Talvez essa dúvida na própria pessoa é o que gere o conflito, que é sucumbido pelos vermes da carne que aparecem quando a caveira fica muito tempo exposta à luz da minha cozinha.
Na minha cozinha eu poderia matar todos que estavam ali presente, pois na cozinha é o melhor lugar para se cometer um verdadeiro suícidio de onde se espera retirar um crânio saudável, segundo estudos feitos por algum órgão com letras máisculas juntas e separadas por pontos justapostos, como "A.S.D.F".
Esse é um texto sem revisão, sem julgamento, sem pensamentos, apenas para deixar a fluidade exercer o seu bem sobre meu futuro personagem. Toda essa questão Hamletiana precisa se interiorizar nas raízes do meu cabelo crespo. Talvez eu use uma mordaça, no estilo Hannibal, para que não possa matar metade do elenco de mordidas causada pela minha enfermidade. Quanto mais penso, mais enfermo fico, mas nenhuma enfermeira me aparece. Onde estão nossas fantasias neste momento de desespero?
Hoje eu vou dormir com uma caveira e acordar com um pensamento.

sábado, 10 de agosto de 2013

Por você..

Eu enfrentaria filas gigantes de mercadinhos de esquina.
Aceitaria balas de troco logo após uma saída do dentista.
Viajaria para o sul sem roupas quentes.
Levaria tiros no Leblon só para devolver a bolsa de uma velha senhora assaltada.
Prestaria vestibular sem canetas.
Beberia uma sopa de água com canela fervendo.
Faria baldeações de trânsito pela manhã.
Pisaria num formigueiro descalço.
Conversaria com evangélicos às 8 horas num domingo ensolarado.
Ligaria para o telemarketing do meu banco pra cancelar minha conta.

Mas nada disso é concreto, é tudo tão ilusório quanto um quadro 3D que fica plano numa simples inclinada de cabeça.
Por agora só me resta esperar a última microonda do lago atingir sua margem e torcer para que as previsões (não do tempo) estejam corretas.

domingo, 14 de julho de 2013

Meu armário

Meu armário foi construído com vigas de concreto. Ele era especial, tinha espaço para minhas armaduras matinais e alguns calabouços escondidos em pequeninas gavetas. Meu armário não aparentava ser um armário, mais parecia um lustre, todo rebuscado e com detalhes em relevo que impressionavam os olhos dos virgens imobiliários. Lá dentro era possível fazer romances e romancear como nos primeiros dias da primavera. O som ambiente era de pássaros que cantavam à liberdade e a temperatura agradaria até o mais desconfiado dos físicos. Meu armário era único, até o momento em que uma grande salamandra o roubou de mim e o enfeitiçou para que se tornasse nada mais que sapatos. Hoje, meu armário não vibra como nos tempos de outrora, não canta como se mil pássaros estivessem em coro sentados em algum cabide. Meu armário simplesmente me leva por aí, e de vez em quando topa com algum desconhecido que no futuro seja do conhecimento da consciência, mas ele nada mais faz do que obedecer ordens. Hoje eu perdi todo meu acervo de armaduras.