sábado, 10 de agosto de 2013

Por você..

Eu enfrentaria filas gigantes de mercadinhos de esquina.
Aceitaria balas de troco logo após uma saída do dentista.
Viajaria para o sul sem roupas quentes.
Levaria tiros no Leblon só para devolver a bolsa de uma velha senhora assaltada.
Prestaria vestibular sem canetas.
Beberia uma sopa de água com canela fervendo.
Faria baldeações de trânsito pela manhã.
Pisaria num formigueiro descalço.
Conversaria com evangélicos às 8 horas num domingo ensolarado.
Ligaria para o telemarketing do meu banco pra cancelar minha conta.

Mas nada disso é concreto, é tudo tão ilusório quanto um quadro 3D que fica plano numa simples inclinada de cabeça.
Por agora só me resta esperar a última microonda do lago atingir sua margem e torcer para que as previsões (não do tempo) estejam corretas.

domingo, 14 de julho de 2013

Meu armário

Meu armário foi construído com vigas de concreto. Ele era especial, tinha espaço para minhas armaduras matinais e alguns calabouços escondidos em pequeninas gavetas. Meu armário não aparentava ser um armário, mais parecia um lustre, todo rebuscado e com detalhes em relevo que impressionavam os olhos dos virgens imobiliários. Lá dentro era possível fazer romances e romancear como nos primeiros dias da primavera. O som ambiente era de pássaros que cantavam à liberdade e a temperatura agradaria até o mais desconfiado dos físicos. Meu armário era único, até o momento em que uma grande salamandra o roubou de mim e o enfeitiçou para que se tornasse nada mais que sapatos. Hoje, meu armário não vibra como nos tempos de outrora, não canta como se mil pássaros estivessem em coro sentados em algum cabide. Meu armário simplesmente me leva por aí, e de vez em quando topa com algum desconhecido que no futuro seja do conhecimento da consciência, mas ele nada mais faz do que obedecer ordens. Hoje eu perdi todo meu acervo de armaduras.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Procura-se matador de tela azul

"Microsoft pagará até R$ 300 mil para quem achar falhas em seus softwares" - Notícia publicada em algum jornal e replicada em todos os outros.

Jobs era um menino de pele grisalha e cabelo bronzeado, raquítico e torneado, devido à recomendação de seu veterinário de que surfasse nos ônibus 6 horas ao dia. Certo dia, quando acorda, o vento bate em seu cabelo e o lembra de não ter fechado a janela, ao ir interromper a marcha pelo direito de ir e vir do vento, Jobs tem uma súbita vontade de mexer no computador, porque aparentemente a janela lhe lembrou Windows, que por sua vez lembrou Microsoft, que por sua vez o lembrou da tela azul.
Completamente revoltado pela imagem da tela azul aparecer e ficar em sua mente feito manifestante em dia de feira, que senta e fica sem água por sete dias até que lhe vendam a mandioca a 3 reais e não mais que isso, Jobs sente a necessidade de mudar o mundo e causar uma revolução na era da informática informativa.

Decidido e compenetrado, abre seu laptop em meio a tantas parafernalhas computadorizadas, que de tanto usadas já eram até uma extensão de seu corpo, e começa a teclar loucamente como em filmes americanos. É possível visualizar faíscas pela quantidade de letras por nanomicrosegundos que ele consegue atingir e isto assusta Bill, que acorda e vê aquela fogueira que espalha letras nas labaredas. Bill consegue enxergar ali um garoto que está abusando de seu sistema e vê nisso uma ameaça. Veste sua calça de seda apertada e parte para a guerra armado de um jogo de vídeo game ultra viciante e mais alguns condimentos caloríficos que elevam a gordura ao nível de horas que ele passa jogando.

Ao chegar na casa de Jobs, Bill o encontra morto, engasgado com uma das teclas, que por coincidência era o "delete". Bill se desespera e vai olhar a tela do rapaz. Nela estava escrito "Você chegou ao fundo do poço, para ir mais longe e decifrar o grandioso mistério da tela azul, você precisaria de um exército de um milhão de crianças chinesas de 11 anos. Saia daqui, pinguim".

Bill conclui que a morte veio ao tentar elucidar o que o grande mestre queria dizer com um milhão de crianças chinesas, aparentemente era um poderoso anagrama e ele não cai na armadilha de tentar desvendá-lo e imediatamente chama as forças armadas, oferece uma grandiosa recompensa para quem descobrir o veneno que saiu do próprio criador numa cria com o sistema operacional, resultando na charada perfeita.

Felizmente a china possui chineses o suficiente para acalmar o mundo e ainda há uma esperança para a população que aqui se encontra e deseja usar o windows de janela aberta.

domingo, 9 de junho de 2013

Sombras junto ao poste

Esse meu grande engano em acreditar em planos que vão durar pra sempre até que a platéia saia com as retinas cansadas vai durar pra sempre, pois não quero ficar dependente exclusivamente do humor que mais desce do que sobe, nessa montanha-russa. Se eles não fossem tão loucos, e se eu não fosse nenhum pouco liso, quem sabe, um dia, a atmosfera pudesse criar um clima capaz de nos conectar. Talvez, se o mundo desfocasse, se o roteirista dos grandes planos fosse demitido. Quem sabe ser protagonista seja uma boa opção. Ficar sob o foco de luz, atrair opiniões que divergem mais que crentes e descrentes em religiões, porque de louco todos tem um pouco, mas eles insistem em compartilhar através de conversas nada agradáveis que nunca levam além da cerca que rodeia o jardim das cerejeiras dos grandes súditos, defendidos pelos seus escudos de platinum, redondos e transparentes. E nesse momento eu só fico como espectador.
Eu posso ser sempre seu televisor, o nariz que enfeita o seu rosto ou aquela pinta que dá um charme e atraí olhares de fotógrafos que podem te levar para as capas de uma revista do nível cultural de pessoas monossilábicas, musicalmente falando.
É só você querer. É só eu querer. É só nós querermos. Juntando o pretérito do passado imperfeito com a perfeição do presente indomável.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Enquanto me olhava nos múltiplos espelhos infinitos do cabeleiro...

Num universo paralelo onde coçar o saco é uma forma de cumprimento.

Amor à primeira vista

Quando te vi, senti teu cheiro e fui enfeitiçado pelo brilho do teu olhar, logo imaginei você no banco de trás da minha combi, amordaçada e gritando de terror.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Visões de um Pernilongo

O que temos aqui? Vários humanos dormindo alto e roncando. Será que consigo atravessar essa camada espessa de cobertor? Ah, não, ainda não sou um pernilongo africano para penetrar este lençol barato do Brás. Olhe só, consigo sentir o cheiro de uma orelha descoberta. Asas, preparar, apontar e fogo! Saio cortando o vento, driblo uma teia de aranha, passei por um mosquito, driblei o ar condicionado cheio de gás venenoso, vou preparar para adentrar a zona de perigo e ... não foi desta vez! Aparentemente o sacana ouviu o barulho desse motor maldito que impulsiona minhas asas. Deixe-me tomar nota de passar na oficina do Pernão. Oh, não! Ele tem uma lanterna! Evacuar, evacuar! Maldito humano idiota com sono de periquito. Da próxima vez vou atrás de alguém menos inteligente, um rato talvez, ou então trarei minha trupe do mal, quero ver ele cuidar do Marcão Ferro de Aço. Pensando bem, ratos são mais fáceis, ou cachorros, ou quem sabe umas aranhas... (PLOFT)
Acho que minha última picada será na porta do inferno mesmo! Oh, vida cruel. Por favor, PerniDeus, absolva-me! Juro tratar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na falta de sangue, até que uma palma nos separe. Amém!
Adeus, mundo cruel e indesejável das palmatórias ordinárias. Adeus.