segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Primeira 'grande' reflexão do ano

Não sei se é o tédio do mundo ou se realmente essas pessoas que aqui vivem simplesmente não notaram que se perderam em algo ponto do seu "crescimento". Essas garotas tirando fotos com rostos pensantes, com legendas de frases da Clarice Lispector ou de algum filósofo me deixam triste. Será que se o filósofo soubesse que suas ideias seriam utilizadas por esse tipo de gente, ele as teria formulado? Não sei, acredito que não. O mundo está tão vazio, com essa pessoas com metas fúteis e sem sentido. Objetivos egoístas em prol de um bom corpo e uma boa transa. Não vou negar que eu deseje também uma boa transa, porém não ocupo toda a extensão do meu ser com isso. Sinto a necessidade de transformar, e ver pessoas com objetivos de se pós graduar ou engordar 1 kg por mês, me faz pensar se eu não sou o problema. Talvez seja. Mas são os grandes vírus que dizimam a população, e, nesse caso, é o que precisa ser feito.

Notas da madruga

Meu sono foi roubado, porém, me deram (se você for ateu, considere o universo) algumas ideias sonambulísticas:

  • Minha cabeça é governada pelos irmãos sim: eles dizem sim para tudo;
  • McChá Feliz;
  • Meu cérebro estava pensando tanto que imaginava ouvir os batimentos cardíacos do meu travesseiro;
  • Praticante de Mojuba, um esporte social; 
  • Uísque, vinho ou violão. Uma escolha determina todo o seu rolê;
  • Meu pai ia no banheiro, e o cachorro ia atrás (essa é só pra quem leu A Torre Negra; como eu li, tá valendo)
  • Acho que fiz um furo no meu inconsciente; e tem alguém neste exato momento enfiando 2 dedos nele. Que bom;
  • Ideias boas vem antes de eu me olhar no espelho;
  • Devia ser crime se olhar no espelho sem ver o seu reflexo;
  • Eu estava com a cabeça tão aberta que fui coçá-la e saiu uma ideia sem acento;
  • Vou ficar deitado de olhos abertos até vir uma ideia poética de sono;
  • O Córtex foi fazer um marmitex pra sua ex;
  • Os índios deram origem aos pernilongos;
  • Daqui uns 100 anos vão olhar esse monte de foto do Instagram e achar que ele é um artista;
  • Fórmula para inflação do ego: use o Facebook e finja não se importar com as  notificações (quanto melhor esse último passo for executado, melhor o resultado);
  • Enquanto o brilho da tela do celular for mais importante que o brilho dos olhos, não haverá revolução;
  • Meu sono foi sequestrado e pediram favores sexuais a um boneco em troca;
  • O papel da minha mãe na minha vida é de seda;
  • Fui educado por pais russos e mães eslavófilas;
  • No meu vagabundar constante eu me tornei um antifuncionário;

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Fábula do camelo

O camelo viajava pelas areias escandinavas da França (assumi-se que, neste mundo, escandinavo é uma qualidade e a França possui desertos) e a Corcova ia atrás.
Até o momento de repouso, quando a Corcova já não sabia se ainda era uma Corcova ou uma Corcunda. Neste fálico instante, Sua corcova cansou. Quis ser uma borboleta e pensava com mil diachos que seria a mais nobre borboleta do reino desértico da França islâmica.
(neste mundo, quando as pessoas cansam elas têm vontades). Pensava, pairava e tomava dia e noite anabolizantes que faziam crescer asas: Um tal de WingsGenerator.
40 dias depois, quando um minúsculo fiapo de um rascunho de asa começou a despontar, a Corcova não desejava mais nada. Queria era silêncio e água.
Arrependida de tanto anabolizante, ela se enfiou num desses programas de anomalias russas, fez muito sucesso e desejou seguir o camelo novamente.

Moral da história: Quem nasceu corcunda, nunca morre careca.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tudo se repete

Cansado de abrir aquelas planilhas disponíveis nos sites de concursos e nunca ver seu nome, B resolve se beliscar, ir ao banheiro, tomar um café, quem sabe pular da janela mais próxima pra ver se na verdade tudo não passou de um sonho e que na verdade ele levantará da cama de um salto e descobrirá como é bom ir trabalhar com a esperança de ter passado na prova. E ao remoer esse possível sonho, B descobre que nele também ele não passou, e que na verdade o gostoso mesmo é o trajeto que ele faz da cama até o trabalho, até o exato momento em que ele decide abrir o maldito site, caindo em si dos seus pecados e se achando um tremendo fracassado.
A verdade é que se B soubesse que desde o espreguiçar até o calmamente sentar e googlar, ele fora feliz, B passaria a vida no trajeto, apenas indo e voltando, sem nunca consultar sequer aquele livrinho dado pelos fanáticos de igreja de plantão. B fora feliz, e quem sabe venha a ser um dia, se souber que a vida é feita de vários trajetos iluminados obscuros e vários momentos tristes resplandescentes.
Quem sabe B estude, não deixe a preguiça lhe domar, assim como tem feito durante muito e muito tempo, quem sabe assim ele encontre não um trajeto repetitivo, mas uma trilha desconhecida, que desemboca na felicidade, e que durante todo o trecho é possível sentir o cheiro da alegria.
Até lá tantos obstáculos estão por vir, novos pornôs estão para ser lançados, séries novas no ar, uma nova bunda começa a pegar o metrô das 11, o sono começa a falar mais alto e todo o desespero de não ver o nome da lista é esquecido e tudo se repete. Como sempre, tudo se repete...
Mas, e agora, José?

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Vontades pela Naja

Seus olhos têm presas, presas pontiagudas,
E que me dão uma vontade tremenda de sentir a força de sua mordida. Sua íris, como a língua duma naja, dançam de um lado pro outro, só tecendo sua vítima. Quem te olha por mais que 2 segundos caí perante seus pés, te desejando até a morte, buscando saciar essa vontade louca que você suscita, suspirando em seus ouvidos, eriçando os pelos das orelhas, arranhando seu coração por dentro. Quero possuir seu corpo, unir-me carne com carne, como num ritual, e fazer sua cabeça cair pra trás, virando os olhos e gritando de ira e tesão. Você é capaz de me seduzir com os olhos fechados, me faz querer abri-los só para que eles me mordam.

domingo, 22 de setembro de 2013

Notas Dantescas

Morrer, dormir, talvez brindar os desejos secretos escondidos pelos refletores mágicos comprados na 25 de março. Eis tudo que assombra um homem (para as feministas, leia-se "mulher"). Os conflitos entre ser e não ser, dormir e sucumbir, enterrar e avacalhar.
Um dia, só para experimentar os requintes de tamanha liberdade desejabilística, propus invadir um cemitério, roubar uma caveira às escondidas e fugir para o Tibete, onde eu poderia doá-la para um museu de pessoas humanas que morreram por causas outras que não a fome ou sede. Talvez até mesmo subornar o sindico do cemitério, trocar uma caveira do hamlet que veio no jornal da banca da esquina por um autêntico crânio, aí estava o meu desejo. E pergunto-me: Por que eu precisava de um crânio verdadeiro? E respondo-me: Para sentir as mazelas que Shakespeare se referiu.
Experimentar a loucura, a verdadeira falsa loucura, que Hamlet sempre sentiu durante sua vida. Então surge a dúvida: Se uma pessoa passa a vida fingindo uma loucura, não seria ela de fato louca?
Talvez essa dúvida na própria pessoa é o que gere o conflito, que é sucumbido pelos vermes da carne que aparecem quando a caveira fica muito tempo exposta à luz da minha cozinha.
Na minha cozinha eu poderia matar todos que estavam ali presente, pois na cozinha é o melhor lugar para se cometer um verdadeiro suícidio de onde se espera retirar um crânio saudável, segundo estudos feitos por algum órgão com letras máisculas juntas e separadas por pontos justapostos, como "A.S.D.F".
Esse é um texto sem revisão, sem julgamento, sem pensamentos, apenas para deixar a fluidade exercer o seu bem sobre meu futuro personagem. Toda essa questão Hamletiana precisa se interiorizar nas raízes do meu cabelo crespo. Talvez eu use uma mordaça, no estilo Hannibal, para que não possa matar metade do elenco de mordidas causada pela minha enfermidade. Quanto mais penso, mais enfermo fico, mas nenhuma enfermeira me aparece. Onde estão nossas fantasias neste momento de desespero?
Hoje eu vou dormir com uma caveira e acordar com um pensamento.